Meus pés com as bordas repletas de rachaduras, meu rosto abarrotado de suor, minha cabeça fervendo, meu estômago vazio, minha garganta seca, meu estado emocional para baixo. Já não tinha mais motivos para viver. Sem trabalho, sem terra para cultivar, minha família faminta, rezando para eu chegar em casa com uma caça, com algo para matar a fome que nos atormentava. Os ultimos centavos que nos restavam não serviam de nada, não havia onde comprar algo.
Avistei de longe, um pobre coitado boi, também lutando para viver. Vagando no assoalho seco, sem comida, sem água. Já voavam sobre o pobre animal abutres esfomeados, alvoroçados, desejando-lhe a morte. Aquele animal, poderia ser a minha salvação. Levantei minha espingarda, que estava suspensa sobre meu ombro, já não havia muita força para levantá-la, mas consegui mirar no animal e com um tiro certeiro, o matei.
Era um animal grande, eu não tinha muita força para carregá-lo. Em minha casa, um pouco distante dali, meus filhos escutaram o fragor do tiro, e vinheram ligeiramente em minha direção com um carro de mão velho que havia pelo terraço. De longe, avistei o sorriso estampado no rosto deles, com o pensamento de que hoje iriam ter algo para comer. É uma grande emoção para mim.
A vida por aqui é catuosa, muitas difculdades para enfrentar. E é assim que vivo aqui, durante os meus 63 anos de idade, com tantas dificuldades que enfrentei, com tantos vai e vem, enfrento tudo isso pela minha família, e sinto muito orgulho, pois meu pai fez o mesmo por mim e por meus irmãos.
Ramón Fernandes.
domingo, 9 de novembro de 2008
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2 comentários:
Ramonzitooo, que grande talentoo! Amei! *-*
Assim que eu ganhar meu pc eu posto aqui, blz?
beijooooo :*
Te indiquei para ganhar um selo.
Está tudo no meu post.
Beijos *:
http://suyaram.blogspot.com/2010/08/selo.html
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